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retalhos de sonhos

retalhos de sonhos

Retalhos de vida

Aqui me encontro, sentada na esplanada. Sento-me nesta mesa redonda, sozinha, a usufruir da paixão que tenho pelo café. Adoro o sabor do café, adoro o cheiro, adoro o paladar aveludado. Tanto que se descobre com uma chávena de café à nossa frente. Tanto que se viaja com uma chávena de café. Sem açúcar, para melhor apurar o seu néctar.

Olho ao meu redor e noto uma diversidade de pessoas que me leva a querer avaliá-las com outros olhos. As pessoas são tão diferentes. Nas formas. Nas cores. Nas acções. Nos pensamentos. Enfim, diferentes.

Vejo um casal de avós a brincar com a neta, talvez tenha dois aninhos. Noto bastante amor nos olhos daquele avô que faz bolas de sabão, para ouvir as gargalhadas da pequena menina. Este casal emana uma certa cumplicidade e bem-estar, no prazer de partilharem da companhia da neta.

Mas nem de todas as pessoas brotam sentimentos positivos. Reparo noutra mesa com um casal jovem, que falam alto. Certamente estão zangados, pelo tom de raiva que ele lhe fala. Nem sempre é fácil gerir as nossas emoções. Nem sempre é fácil ter discernimento suficiente, para não o fazer perante estranhos. As pessoas à minha volta acabam por perceber esta disputa entre os dois. Só nos resta um olhar de compaixão para a jovem e talvez desejar que tudo acabe da melhor forma.

Foi mais um momento da minha vida. Um momento de olhar, com olhos de ouvir.

Solitário fardo

A solidão abraça-a como uma manta quente. Envolve-lhe a alma, num calor doentio tal qual uma segunda pele do seu corpo. Entranha-se em todos os poros da sua existência, em todas as horas da sua vida, em todos os fugazes minutos da sua força.

Alimenta-se das ausências de quem prometeu não a abandonar. Das lágrimas derramadas no silêncio da noite solitária, quando ninguém aconchega o seu corpo num abraço ardente. Do vazio perpetuado pela quietude da voz que já não sente junto de si. Alimenta-se, dia após dia, de fios que constroem uma manta de retalhos infindáveis de dor. Cada porção é cosida com uma trama grossa de quem já não sente a sua falta, de carência de sorrisos e de ternura. 

Torna-se tão pesado este solitário fardo a que chama viver...