Solitário fardo
A solidão abraça-a como uma manta quente. Envolve-lhe a alma, num calor doentio tal qual uma segunda pele do seu corpo. Entranha-se em todos os poros da sua existência, em todas as horas da sua vida, em todos os fugazes minutos da sua força.
Alimenta-se das ausências de quem prometeu não a abandonar. Das lágrimas derramadas no silêncio da noite solitária, quando ninguém aconchega o seu corpo num abraço ardente. Do vazio perpetuado pela quietude da voz que já não sente junto de si. Alimenta-se, dia após dia, de fios que constroem uma manta de retalhos infindáveis de dor. Cada porção é cosida com uma trama grossa de quem já não sente a sua falta, de carência de sorrisos e de ternura.
Torna-se tão pesado este solitário fardo a que chama viver...
